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Contracepção na adolescência

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09/11/2021

Nas últimas décadas grandes transformações sociais ocorreram no Brasil e no mundo, levando a uma mudança acentuada dos padrões de comportamento sexual, principalmente entre os adolescentes.

O aconselhamento sexual das famílias e das escolas muitas vezes não acompanhou essas mudanças, ficando distanciado da realidade dos jovens. Resultado: apenas cerca de 1/3 dos jovens usaram algum método contraceptivo na primeira relação sexual, se expondo a uma gravidez indesejável ou a uma doença sexualmente transmissível, sendo que 80% iniciam a vida sexual antes dos 17 anos.

A falta de informações e conhecimento, a dificuldade de acesso aos métodos anticoncepcionais, o pensamento mágico de que “nada vai dar errado”, a baixa escolaridade; levam os adolescentes a este descuido perigoso. No entanto, isso não precisaria ser assim.

É importante saber que, em geral, as adolescentes podem usar quase todos os métodos contraceptivos e deveriam ter acesso fácil a várias opções.

A idade em si não constitui uma razão médica para negar qualquer método às adolescentes. Muitos dos critérios de contraindicação que se aplicam a mulheres adultas não se aplicam às jovens.  Em verdade, as adultas são muito mais sujeitas a impedimentos ao uso de vários contraceptivos do que as mulheres jovens, devido à maior frequência de diversas condições, tais como: alterações cardiovasculares, hipertensão, varizes acentuadas, presença de tumores, diabetes etc.

Os aspectos sociais e de conduta devem ser considerações importantes na escolha dos métodos anticoncepcionais nas adolescentes. A maior exposição a contágio de doenças sexualmente transmissíveis é um fato importante nessa faixa etária e nos impõe a indicação da dupla proteção: preservativo + outro método.

Também tem sido exaustivamente mostrado que as jovens usuárias de pílulas anticoncepcionais têm uma tendência maior de esquecimento ou de interrupção do uso delas, muitas vezes por motivos pouco importantes.

Daí que as entidades médicas mais importantes do mundo têm recomendado a indicação de MÉTODOS DE LONGA DURAÇÃO para as mulheres, adolescentes ou não, que não planejam engravidar tão cedo, pela sua eficácia e praticidade.
 
Entre os métodos de longa duração se sobressaem os:
 
DIUs hormonais
DIUs de cobre ou cobre/prata
Implante

Cabe aos profissionais de saúde um papel relevante na adequada orientação contraceptiva, para que a tomada de decisão da mulher seja a mais madura e consciente possível.  
Enfim, a educação e orientação sexual adequada é um grande desafio que implica em enfatizar a participação da família, das escolas, do sistema de saúde, dos meios de comunicação; para que se possa ajudar as adolescentes e outras mulheres a encontrar as melhores soluções para suas aspirações e desejos.
 
Palavras-chave: adolescente, contracepção, métodos de longa duração, DIU hormonal, DIU de cobre/prata, Implante.
 
Prof. Antônio Aleixo Neto

Mestre em Saúde da Mulher (UFMG)
Master in Public Health (Harvard University)
 
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